O século XIX é marcado por uma série de inovações no domínio das artes gráficas e na circulação da cultura impressa, afetando sobremaneira o universo dos livros e dos periódicos. As discussões sobre o futuro da arte tipográâca ganham em temperatura, e alguns veículos portugueses da época começam a cogitar a urgência da consolidação e divulgação de algum
método, bem como de diretivas voltadas para a produção editorial. Referem-se mais especificamente à necessidade de publicação de um livro elementar como observam já existir na França, na Inglaterra ou na Alemanha. O editor lusitano Joaquim dos Anjos não esteve alheio a tal discussão e lança seu Manual, precisamente em 1886, um volume pequeno e acessível aos mais diversos bolsos da época. A obra tem o estatuto de um breve tratado, um compilado de conhecimentos úteis, escrito de forma despretensiosa e popular para alcançar as mais diversas
inteligências. Mais do que um guia seco e mecânico dos procedimentos comuns ao ramo, o Manual do Tipógrafo trata com sensibilidade das mais diversas preocupações do cotidiano das casas tipográficas, desde o trabalho técnico e estético, ao esforço dos trabalhadores e sua formação. Por anos textos como este foram sentenciados ao silenciamento, nus agora são trazidos à luz pela coleção Memória Tipográfica.
Em tempo, convidam o leitor a refletir sobre as mudanças de um mercado que cisma em existir na
conciliação entre o disruptivo e o tradicional.
Editora:
Com-Arte Editora-Laboratório